Wednesday, April 11, 2007

My Life as a Lord Jim

My Life as a Fake é, entre muitas outras coisas, uma ilustração da Falácia Intencional: nada do que é escrito pela trupe de artistas manqué que popula o livro surte os efeitos desejados. A narradora, depois de ler a inconsequente poesia genuína de Chubb (o forjador) resume assim a situação: «If this was his real poetry, then I preferred the fake».
Esta tensão entre o valor intrínseco daquilo que é criado para ser falso e daquilo que floresce genuinamente é o verdadeiro motor do livro, mais do que a reciclagem do mito de Frankenstein. Aliás, parece-me que My Life as a Fake tem um padrinho literário mais óbvio que Mary Shelley; é ela quem providencia a epígrafe, mas a sombra angular é lançada por Conrad - uma presença já evidente mesmo antes de o enredo nos transportar até à Península Malaia. A narração é oblíqua e esquartejada; o elenco é constituído quase exclusivamente por Marlows - personagens que insistem em contar as suas histórias, mesmo que o processo dure a noite toda e ameace aborrecer todos à sua volta. O que nunca acontece, diga-se. O livro é muito bom e reitero que deve ser lido por todos aqueles cujo coração é puro e cujas intenções são nobres.
(Curiosas, se bem que superficiais, são também as semelhanças do enredo com um dos livros mais fraquinhos de Stephen King, The Dark Half. Seria interessante aprofundar isto, mas o mais provável é que não o faça).

A Europa no meu prédio

O meu novo vizinho italiano, a quem educadamente me apresentei no corredor, insiste em que eu lhe chame Fred. A sua esposa nunca fala, mas o Fred comunica pelos cotovelos, ainda que o seu domínio da língua inglesa não lhe permita muito mais do que uma pitoresca insistência em que eu lhe chame Fred.
Julguei de bom tom alertá-los para o problema do carteiro. «Fred», disse eu, «he's a lunatic. You need to be on your toes».
«Call me Fred! I make your aquaintance!»

Factualidade declarada provada

Um dos textos mais comoventes que li nos últimos tempos foi este acórdão do Supremo Tribunal de Justiça.

Citando Abraracourcix

Há alturas em que me sinto cansado, mas tão cansado.
Uma notinha pessoal: como alguns de vocês já devem ter reparado, o meu habitual atraso na resposta a e-mails, telefonemas, mensagens de texto e gritos escandalizados do outro lado da calçada assumiu nas últimas semanas proporções caricatas. Isto deve-se a toda uma conjuntura. Não vamos aqui escalpelizar a conjuntura. Os interessados, de resto, já saberão que a conjuntura não exclui factores como a preguiça, a má-educação, e um estilo de vida precariamente equilibrado entre a terceira idade e o infantário.
O atraso será rectificado; até lá, o mais importante é manter a calma, e dar o benefício da dúvida a quem teve de lavar a loiça à mão duas noites consecutivas.

O engenheiro da discórdia

Nunca concluiu nenhuma licenciatura. Tem um bacharelato. É engenheiro técnico. Mas toda a gente o trata por "engenheiro". Todos lhe reconhecem uma honestidade e uma firmeza de carácter a toda a prova. Estará este homem a enganar toda a gente? Ou será Portugal simplesmente um país mais obcecado por títulos do que por competência?

AFRICAN WOMEN


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