Tuesday, December 11, 2007

David Lynch, Shimon Perez, um ringtone dos INXS, e um plano infalível para a paz no Médio Oriente (estou há aproximadamente 20 minutos a rir-me disto)



(É impressão minha ou isto é um remake da primeira palestra do Agente Cooper em Twin Peaks: "I am first going to tell you about Tibet"?. . .)

Num zapping logo a seguir ao Porto-Besiktas, ouvi a seguinte frase na RTP2:

«As pessoas não devem ir aos cemitérios desenterrar os seus parentes mortos sem levarem um especialista forense que lhes explique o que vão ver e ouvir.»

Podem dizer o que quiserem sobre a RTP2, mas não a podem acusar de não transmitir bons conselhos.

A plus tard, peut-être, Carrefour!


Confirmou-se a má notícia, a pior que eu tive este ano a seguir a o Desportivo das Aves não ter pontuado no Dragão na última jornada do campeonato: o Carrefour vai mesmo sair de Portugal. A decisão estava há muito tomada e não era a Autoridade para a Concorrência que a ia impedir. Quanto muito, poderia levar a uma renegociação, mas a saída do Carrefour é voluntária e nem sequer é por não dar lucro! No entanto parece que só hoje é que eu acredito. E ainda não quero acreditar. Não há mesmo nada que se possa fazer. A não ser lamentar.
O Carrefour era a minha grande superfície de eleição, em Portugal e em França. Em Paris eu pedalava um arrondissement inteiro (o 13º), pelos Boulevards des Maréchaux, para ir da Cité Universitaire a Bercy abastecer-me de carne e peixe variadas e aos melhores preços. O mesmo em Lisboa e em Aveiro. E não só comestíveis. Ainda a semana passada veio de lá um belíssimo roupão. Pude experimentá-los à vontade e sem ninguém a chatear-me se o levava ou não. Não havia o meu número da cor do meu agrado exposto. Pedi-o a uma empregada, que solicitamente interrompeu o que fazia para mo ir buscar ao armazém.
O Carrefour representou uma melhoria a olhos vistos no comércio a retalho em Portugal. Basta olhar para a fotografia – quem introduziu em Portugal o sistema da moeda nos carrinhos? Antes do Carrefour os parques de estacionamento dos supermercados eram um caos de carrinhos desarrumados. É um espaço organizado, com qualidade e variedade.
Digam-me agora onde vou arranjar marca “branca” (para pilhas recarregáveis ou para queijos franceses) tão credível? Onde compro queijo coulommiers fabriqué en France a 1.50€? Onde vou arranjar melhor relação qualidade/preço em tudo? Não arranjo. Não há.
Eu não sei viver sem o Carrefour. Vou ter que aprender. Ou então voltar a emigrar. Ou talvez fique em Portugal, mas ao pé de Espanha, e vá lá abastecer-me. Em Espanha há Carrefour em todo o lado - vejam lá se eles querem saber do Corte Inglês para alguma coisa!
O Carrefour é talvez o único hipermercado cantado pelo Chico Buarque e pelo Gilberto Gil– no Baticum (ouvir aqui). Só pode ser muito bom.

Tabletes de Chekhov


(Animais Domésticos)


Não nego que seja um problema agudo, mas está tudo na escolha. As edições Excellence da Lindt fazem jus à etiqueta, e a sua célebre barra com 85% de cacau é talvez a melhor para entrar em contacto com antepassados através de visões. (Só recomendo atenção no processo, pois entrar em contacto com os antepassados de outra pessoa pode estragar-nos o sossego. Há quem jogue pelo seguro, e encomende a menos célebre barra com apenas 70% de cacau).
Depois temos a satânica sedução da Valrhona, marca que não consumo há mais de cinco anos, mas apenas por ter medo, muito medo. Em 2002, engoli uma mão cheia de rectângulos da linha Ampamakia, e andei dias seguidos a fugir aos Elder Gods, como um pobre académico de New England num conto de Lovecraft.
Para impulsionar a produção literária (e ignorando a patética sugestão do Coupland, claramente um amador nesta matéria) creio ser difícil bater a Chekhov Cherry Bar. A última que saboreei resultou num poderoso conto de 16 páginas passado numa dacha em Gursuf. Terminava com a frase: "Lá fora chovia", imagem que nunca me teria ocorrido sem o auxílio da Chekhov Cherry Bar.

Era o "El Calambre de Yeso", se faz favor

O José Mário Silva tem um blogue novo, onde esta frase até já está escrita algures, num hexágono qualquer, vejam lá bem.

Uma razão simples a favor de Alcochete

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Prefiro Alcochete à Ota como localização do novo aeroporto de Lisboa por uma razão simples.

Alcochete é mais perto de:

- Lisboa (de onde parte e onde chega a esmagadora maioria dos passageiros)
- Península e cidade de Setúbal (enorme capacidade industrial e potencial turístico)
- Évora (grande polo turístico)
- Badajoz
- Faixa costeira de Tróia a Sines (enorme potencial turístico)
- Portos de Setúbal e Sines e Aeroporto de Beja (importante encadeamento logístico)

Não há vantagens de dimensão comparável se se optar pela Ota.
Só abandonaria esta preferência se me demonstrassem inconvenientes, noutros planos, que fossem gigantescos e inultrapassáveis.

Monday, December 10, 2007

A cor dos genes

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O DN de ontem trazia uma notícia no mínimo estranha.
Dizia que "James Watson, o cientista americano que causou recentemente polémica por dizer que os negros são menos inteligentes do que os brancos, tem 16 vezes mais genes negros do que a média dos europeus. Uma análise ao genoma do Nobel da Medicina 1962 (pela descoberta da estrutura da dupla hélice do ADN humano) concluiu que 16 % dos seus genes vêm de um antepassado negro. A maioria dos Europeus só tem 1 %."

O que é isto ? o que se pretende ao deslocar a discussão para este plano ?
afinal a percentagem de "genes negros" é relevante ? qual é o argumento ?

Que Watson só fez a sua polémica declaração porque tem 16 % de "genes negros" ?
Que Watson conseguiu o prémio Nobel apesar de ter 16 % de "genes negros" ?
Que os europeus forçaram a demissão de Watson porque só têm 1 % de "genes negros" ?

Afinal há "genes negros" e "genes brancos" ou são todos genes humanos ?
Que percentagem de "genes estúpidos" terá o autor deste argumento ?

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