Sunday, October 19, 2008

O destino do mundo entregue a três pícaros

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"O Presidente norte-americano aceitou ser o anfitrião, “num futuro próximo”, de uma cimeira internacional para debater estratégias de resposta à crise financeira internacional, enquanto o seu homólogo francês sublinhou que o encontro será “uma grande oportunidade” para rever as políticas financeiras.“É essencial que trabalhemos em conjunto porque estamos juntos nesta crise”, afirmou George W. Bush, ao acolher Nicolas Sarkozy, presidente em exercício da UE e Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, em Camp Davis. " Público, 18.10.2008

Note-se o ar grave, obviamente forçado, destes três pícaros. Tenho a certeza de que, durante o jantar, se fartaram de contar anedotas.

Coisas do tipo: "Vocês já conhecem aquela de um português um francês e um americano, praticamente falidos, que se encontram para jantar ?"






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Saturday, October 18, 2008

A contradição essencial em todo o seu esplendor

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"O Presidente da República está preocupado com a possibilidade do aumento do desemprego e com o crescimento do endividamento externo, mas considera que os portugueses podem confiar no sistema bancário, revela hoje o semanário “Expresso”."
A questão fundamental é evitar a rarefacção do crédito às empresas e famílias. Se isto não acontecer, muitas empresas enfrentarão dificuldades e poderemos ter um grande aumento do desemprego", disse Cavaco Silva, em declarações ao semanário...
"O maior problema de Portugal neste domínio é o do endividamento externo, que está a ser alimentado todos os anos pelo desequilíbrio das nossas contas externas que é muito elevado. É por isto que tenho insistido tanto na prioridade que deve ser concedida ao aumento da competitividade das nossas empresas", disse o Presidente...
A dívida externa portuguesa era de 343,9 mil milhões em Junho, mais do dobro do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco de Portugal, dos quais 188,6 mil milhões são dívidas da banca que incluem o financiamento do crédito a empresas e a famílias, salienta o “Expresso”."
A contradição em todo o seu esplendor. Estamos endividados "até à raiz dos cabelos", vivemos acima das nossas possibilidades, e Cavaco acha que é preciso garantir que podemos continuar a endividar-nos. Porquê ?
É simples, a economia tal como a conhecemos não consegue funcionar, por insuficiência da procura, se nós não nos arruinarmos com empréstimos que não conseguimos pagar.
Acho que isto não tem saída...
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Friday, October 17, 2008

Ligações perigosas



"Agora, vejam bem, o Governo decidiu, já em fim de mandato, renovar o contrato de concessão do terminal de contentores de Alcântara à Liscont, uma empresa maioritariamente detida pelo grupo Mota-Engil - renovação acompanhada de uma apreciável melhoria das condições do contrato (aumenta a área disponível para a instalação de contentores). Aquilo de que qualquer lisboeta está absolutamente farto - ver a zona ribeirinha atravancada pelos contentores da actividade portuária -, não só irá continuar como irá crescer em densidade. O PSD reagiu invocando o favorecimento da empresa da Mota-Engil e tenciona pedir a apreciação parlamentar da decisão do Governo.

Eu não sei nem posso garantir se o Governo favoreceu aqui a empre- sa do "amigo" Jorge Coelho. Mas se a função do jornalismo é fazer perguntas, eu aproveito para fazer as minhas. Há uns anos, numa notícia de 2 de Maio de 2005, o Diário de Notícias dava conta de que o grupo Tertir pedia ao Governo que clarificasse a sua posição sobre a localização da actividade portuária, porque estava insatisfeita com a ideia de ter de deslocar o terminal portuário para fora de Lisboa a fim de se "devolver" a área ribeirinha à população.

Convém notar que a Tertir era então proprietária da Liscont e, para além de temer os custos inerentes à construção de uma nova central de contentores, tinha interesse natural em renovar a concessão do terminal de Alcântara. É escusado acrescentar que o Governo não clarificou nada, sempre sob o pretexto de que a área ribeirinha seria libertada para se tornar no espaço de lazer e liberdade que os lisboetas esperam há décadas. Então o que fez a Tertir? Em 2007, vendeu a sua posição na Liscont à Mota-Engil, que assim passou a controlar a empresa.

E é essencialmente isto que importa esclarecer: como é que antes a renovação do contrato de concessão desejada pela Tertir parecia uma tarefa impossível por força dos planos governamentais de abertura da área ribeirinha e, assim que a Liscont passa para as mãos da Mota-Engil, o contrato de concessão é logo celebrado, ainda por cima com condições mais favoráveis? De resto, este é só mais um exemplo de como Lisboa e os lisboetas são tratados por quem nos governa."

"O GOVERNO E JORGE COELHO", Pedro Lomba, DN 16.10.2008

Estou certo de que o PSD, se tivesse oportunidade, teria feito algo do mesmo tipo. Mas hoje não é no plano da crítica ao "bloco central de interesses" que me quero situar.

Quando se toma consciência de casos como estes somos levados a perguntar: faz algum sentido falar de "regulação do Estado" quando existem tantas promiscuidades ? faz sentido acreditar que o governo, este ou o próximo, quer e pode meter a especulação financeira na ordem ?

Ah se tivesse sido eu a escrever isto!

Pensará o Pedro Morgado: «Os outros não podem chamar "provinciana" a determinada atitude ou episódio. Só nós é que podemos. Faz lembrar aquela história: só os judeus é que podem contar anedotas sobre judeus (e rir-se delas). Caso contrário é-se anti-semita. Por isso é que nós até temos direito a destaque do CAA. Com referências ao "país do socratismo", como se a culpa fosse de Sócrates.»

Já sabemos quem vai pagar a crise

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"Afinal, quem vai pagar esta crise ?", assim se titulava o Editorial do Publico no dia 16.


O meu caso, reformada da chamada classe média, pode ser uma resposta:
- não sou empresária, portanto não beneficio dos cortes no IVA nem no IRC, nem posso usar linhas de crédito bonificado.
- não pertenço ao grupo dos “mais necessitados” por isso não recebo subsídios, não me dão casa, não tenho água luz e telefone mais baratos, não sou isenta de taxas no SNS.
- sou reformada do sector privado, o que significa que a minha pensão, à partida inferior ao ordenado que tinha no activo, vai aumentar este ano de novo abaixo do valor da inflação.
- já não tenho filhos bebés, nem estudantes, por isso a descida do IVA das cadeirinhas, o desconto fiscal dos computadores e o 13º mês do abono, não me ajudam.
- também já não tenho pais velhinhos; não posso descontar os encargos.
- comprei uma casa, quando tive dinheiro para o fazer, não tenho por isso dívidas que o Estado me ajude a pagar.
- tenho algumas poupanças, aplicadas em Certificados de Aforro; foram desvalorizadas pelo Governo.
- suporto os aumentos do combustível, das portagens e dos impostos se quero deslocar-me em viatura própria. Suporto a subida de preços dos bens essenciais e também dos outros.
Quem vai pagar esta crise ? Sou eu !



Maria Rosa Redondo, uma leitora devidamente identificada.



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Thursday, October 16, 2008

Responsáveis pela crise mundial

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Alguém acredita nesta história do subprime ter levado o mundo à falência ?...

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Petição quer aumento das rendas das "casas de favor" em Lisboa


Público, 16.10.2008
Catarina Pinto


Signatários sugerem que autarcas que tenham participado na atribuição de casas sejam inibidos de se candidatar a cargos públicos

Está desde anteontem em subscrição na Internet uma petição de cidadãos contra a forma de atribuição de casas pela autarquia lisboeta, que chama de "casas de favor", e sob o mote "para que a culpa não morra solteira mais uma vez", os subscritores dizem querer acabar com o "atentado ao património público".
Dirigida ao presidente da Assembleia da República, a petição tem como primeiro subscritor Fernando Penim Redondo, e propõe "a criação de uma comissão independente que aumente, no prazo de três meses, as rendas das casas, cedidas pela Câmara Municipal de Lisboa a preços muito baixos, para os valores normais de mercado".
Ainda a este respeito, o autor entende que a Comissão deverá analisar e ter em atenção as situações de alguns cidadãos que possam não ter condições financeiras favoráveis ao pagamento das novas rendas.
Criticando o facto de já terem sido proferidas demasiadas palavras sobre o caso da atribuição de património camarário a preços irrisórios, mas nunca terem sido lançadas verdadeiras propostas que resolvam e evitem semelhante situação no futuro, Penim Redondo pretende que as autoridades competentes produzam legislação de modo a que os presidentes e vereadores da CML, envolvidos na "atribuição de casas de favor", não possam candidatar-se a cargos públicos durante três anos.
A elaboração, no prazo de um ano, de um relatório final dando conta dos resultados do mandato da comissão e a utilização da sua experiência em Lisboa para "desenhar e executar um plano equivalente a nível nacional" são outras das resoluções que o autor pretende ver cumpridas.

Silêncio partidário
Na petição, Penim Redondo lamenta que os principais partidos portugueses se refugiem no silêncio sobre a questão das cerca de duas mil habitações da Câmara de Lisboa cedidas por preços quase simbólicos. "Os principais partidos portugueses têm mantido um envergonhado silêncio sobre esta questão contribuindo dessa forma para a degradação da nossa vida democrática", escreve.
Classificando esta atribuição como um atentado ao "património público", o autor chama a atenção para os milhões de euros que a autarquia tem vindo a perder, numa altura em que se encontra "quase paralisada por falta de meios financeiros".
A petição está disponível on-line em http://www.gopetition.com/petitions/para-acabar-com-as-casas-de-favor-em-lisboa.html, e até ao final da tarde de ontem tinha 64 assinaturas.

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