Monday, August 29, 2005

Em tempo de presidenciais...


Sempre me fascinou a obsessão pelo tempo que tinha o malogrado Presidente Américo Tomás!

Ora vejam:

“Decorreu célere, como os que o precederam, o ano que acabou de sumir-se na voragem insaciável do tempo. Outro o substituiu, para uma vida igualmente efémera. Nesta mutação constante, afigura-se haver agora um fenómeno de visível incongruência, pois, quando tudo se processa a ritmo que se acelera constantemente, pareceria lógico que de tal circunstância resultasse um aparente alongamento do tempo e não precisamente o inverso. Mas a verdade é que, quanto mais aumentam as velocidades e o ritmo da vida, mais rapidamente, também, o tempo parece correr, donde se sempre o presente, mal o é, se torna logo em passado, nunca, como nos nossos dias, tão evidente verdade parece mais evidente.”

(Mensagem de Ano Novo, 1/1/1966)

A celeridade da Justiça...



A INFRACÇÃO


O carro que transportava o presidente do Tribunal Constitucional, Artur Maurício, foi apanhado a uma velocidade de 200 quilómetros por hora na auto-estrada do Sul (A2), na passada terça-feira, cerca das 12h00. Segundo noticiou ontem à noite a TVI, a Brigada de Trânsito da GNR detectou a infracção, mas quando o motorista (membro do corpo especial da PSP) do juiz conselheiro recebeu ordens para parar não lhe foi aplicada a coima por excesso de velocidade. A estação televisiva adiantou também que, para além de a multa não ter sido paga no acto da infracção, não foi apreendida a carta de condução do motorista nem solicitados os restantes documentos. Artur Maurício não quis prestar esclarecimentos à TVI, mas o seu chefe de gabinete, Carlos Brito, afirmou que "o presidente não está permanentemente atento à velocidade a que vai o veículo". E acrescentou ser "provável" que tenham sido "ultrapassados os limites exigíveis". Questionado sobre o não pagamento da coima, Brito respondeu: "[O presidente do Tribunal] sentiu que estava a cumprir uma missão de interesse público e que não devia pagar na altura." Num comunicado enviado à redacção da TVI, o Comando da GNR sustentou que a BT não multou o motorista de Artur Maurício porque o condutor invocou uma "questão de urgência". Carlos Brito alegou que o juiz conselheiro se dirigia para uma reunião agendada para as 15h00.

Publico, 27 de Agosto 2005

Tuesday, August 23, 2005

Quem diz que a história não se repete?!

A implantação da Républica



Terminou no Domingo passado a LISBOAPHOTO2005.

Não é de ânimo leve que se percorrem as fotografias de Joshua Benoliel.

Perante elas revivemos cenas da nossa infância onde as vivências que as imagens mostram nos foram transmitidas pelos nossos pais e avós, quer nas histórias que nos contavam quer em muitos dos seus hábitos e princípios.

Há uma sensação familiar ao sermos confrontados, literalmente cara a cara, com um país intrinsecamente rural e bisonho muito mais preparado para Fátima do que para a Republica. E o que é arrepiante é apercebermo-nos de que se “lavássemos a cara” aos figurantes e modernizássemos tecnològicamente o cenário, teríamos o país de hoje.

Tocou-me especialmente a fotografia dos lisboetas anónimos apinhados num automóvel que conduz um oficial da marinha durante a revolução republicana.

Tal como em 1910, também no 25 de Abril os lisboetas anónimos subiram para as chaimites e vitoriaram os militares que lhes abriam a porta para um mundo maravilhoso onde os desejos de cada um se iam finalmente realizar!
Tal como em 1910, também em 1974 se criou nas massas uma enorme onda de expectativa que serviu de alavanca para as alterações da super-estrutura politica; tal como então, na ausência de um projecto social e politico coerente, rapidamente se aprofundou o fosso entre os novos senhores da politica e a sociedade.

Quem diz que a história não se repete?!


Greve na CUF

Saturday, August 20, 2005

Como é possível ?!?



Dois casos paradigmáticos da inépcia cultural.

Há anos que estes dois edifícios emblemáticos de Lisboa, o Pavilhão de Portugal na Expo e a Casa dos Bicos em Alfama, se encontram sem préstimo.

Como é possível ?!?

Wednesday, August 17, 2005

Prisioneiros do Futuro



Prisioneiros do Futuro
por Miguel Poiares Maduro

Há dias foi anunciado que Portugal apenas atingirá o nível económico médio europeu dentro de 110 anos.

Não sei qual é a base para uma tal previsão mas anunciada assim parece ridícula. Em 110 anos, o mundo e Portugal podem sofrer as maiores transformações pelo que sabemos, até podemos ser invadidos por extraterrestres que percebam de economia ou vir a ter uma geração clonada a partir de uma qualquer célula do António Dâmaso! As circunstâncias que podem afectar o crescimento económico da Europa e de Portugal são tantas que uma previsão deste tipo e a tal distância não faz sentido (é provável até que o estudo assente na presunção de que "tudo se manterá como está" e, nessa medida, a sua conclusão é apenas uma análise crítica do nosso actual modelo de crescimento económico).

Sempre me impressionou esta importância que atribuímos à previsão do futuro. Queremos antecipar o nosso destino. Só que conhecer o que o destino nos reserva pressupõe que o nosso destino já está reservado. E é aqui que está o problema querer conhecer o futuro é negar que somos nós que o determinamos. É deixar-se conduzir em vez de tentar conduzir um pouco. Como é que se pode prever a nossa evolução económica para os próximos 110 anos?

Só presumindo que somos prisioneiros de nós próprios e que não podemos mudar. Isto é a negação da nossa própria humanidade e da liberdade que lhe é inerente. Mesmo para quem não é católico, o episódio do pecado original é belíssimo a esse respeito. Porque teria Deus permitido a Adão e Eva que pecassem e porque teriam eles vontade de pecar estando no paraíso? Só encontro uma explicação o acto de rebeldia permitido por Deus é o reconhecimento da liberdade humana. Mas ao libertarem-se, Adão e Eva deixam de estar protegidos no paraíso e passam a ser responsáveis pelo seu destino. São eles e não Deus que o determina. Deus pode julgar mas não escolhe.

Sendo assim, é absurda a importância que na nossa sociedade adquiriu a noção de destino e toda uma indústria de previsões do futuro. Não existindo um futuro pre-determinado, acreditar no destino é acreditar naqueles que nos lêem o destino (escrito nos astros, nas cartas ou até nas borras de café).

Ao acreditarmos nessas previsões ficamos prisioneiros de quem as faz. Tornamo-nos os seus executantes. Nunca demonstraremos que são falsas porque nós mesmos garantimos, através da nossa obediência, a sua concretização.

Admito, por exemplo, que a colocação dos astros quando nascemos até possa determinar alguns tratos da nossa personalidade (há tantas coisas que podem influenciar o que somos, desde os genes que temos à cara da enfermeira que vimos quando nascemos…). Mas não consigo compreender como se passa da influência dos astros na nossa personalidade à previsão de acontecimentos específicos.

Será que de uma concentração de "Balanças" se deve esperar uma grave perturbação pública ou que o facto de o Sporting ter 11 Capricórnios a jogar garante a vitória no campeonato nacional? Por que motivo hão-de os astros permitir prever certos acontecimentos? Não será que a nossa ansiedade em saber o que o futuro nos reserva é antes um escape para o que sentimos ser a nossa impotência em lidar com ele?

A nossa descrença num futuro aberto resulta da nossa dificuldade em saber o que fazer com esse futuro. Não é que nos falte vontade de ter a liberdade de determinar o futuro. Falta-nos é a vontade de escolher o que essa liberdade implica. É que o insucesso resultante da não decisão pode ser atribuído ao destino ao que nos aconteceu ou estava reservado. O insucesso resultante de uma nossa decisão é antes visto como sendo da nossa responsabilidade: "foste tu que fizeste isso a ti próprio!". Daqui resulta uma enorme tendência para imobilidade perante a vida e o destino.

Quem nada faz e é infeliz tem a pena de todos era esse o seu destino. Quem tenta mudar o seu destino é um aventureiro. Socialmente, somos induzidos à inércia. Daí que até a mudança, para ocorrer, tenha por vezes de ser promovida pela antecipação de um destino diferente. Essa é também uma razão para o recurso aos astros e a outras "ordens do futuro": procurar uma responsabilização alternativa ("os astros são quem mais ordena"). Mas essa é apenas uma outra forma de perder a liberdade.

Em Portugal, o futuro é mais irreversível do que a História. Perante a História adoptamos muitas mais liberdades. Paradoxalmente, achamo-nos donos da História e escravos do destino. Mudamos a História de acordo com a nossa necessidade de justificar ou legitimar diferentes opiniões ou sentimentos. É que a História, ao contrário do futuro, não é vista como sendo da nossa responsabilidade e até serve para nos demitir de responsabilidades ("foi sempre assim").

Frequentemente, a História muda não porque muda o nosso conhecimento dela mas sim porque mudam as nossas necessidades quanto ao que concluir com base nela. É curioso como em Portugal uma pessoa teimosa, ortodoxa, fundamentalista, passa, após a morte, a ser definida como coerente, íntegra, corajosa. Não há nada como a morte para mudar a história de uma vida. A História não muda, mas o que muda é a nossa história da História.

Exercemos a nossa liberdade na forma como contamos diferentes Histórias da nossa História. É que a História é uma construção da memória e, como tal, sugestionável. É mais fácil reescrever a História do que escrever o futuro. E quanto mais distante a História mais fácil é de nos apropriarmos dela. Ninguém pode lá voltar para controlar a nossa versão.

Não temos medo de manipular a História mas temos um enorme receio de tomar conta do destino. Exercemos a nossa liberdade para justificar onde estamos mas não para determinar onde vamos. E, no entanto, só há uma coisa certa no nosso destino a morte. E mesmo essa, se puder, evito-a.


por Miguel Poiares Maduro
Miguel.Maduro@curia.eu.int

Sunday, August 14, 2005

O destino da Colecção Berardo



Mais uma coisa a correr bem.
A 19 de Maio denunciámos as hesitações do Governo em relação a "uma casa para a colecção Berardo".

Agora, segundo o Expresso, a situação parece resolver-se:

O Antigo Museu de Arte Popular, em Belém, é o mais provável destino da Colecção Berardo. O empresário madeirense que fez fortuna na África do Sul ameaçou levar para o estrangeiro a sua colecção - uma das mais valiosas do mundo em arte contemporânea - no caso de o Governo português não assegurar um local condigno para a expor. Actualmente, parte da colecção está em exibição em Sintra, no edifício do antigo casino, e no Centro Cultural de Belém.

O antigo Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, seria uma solução satisfatória, mas Berardo prefere a que está actualmente a ser trabalhada e contempla um enriquecimento da zona envolvente do Mosteiro dos Jerónimos.

O edifício do Museu de Arte Popular, um legado da Exposição do Mundo Português de 1940, albergará o núcleo central da colecção, que terá uma extensão no CCB.

A cereja no topo do bolo desta proposta consiste na sugestão de Berardo de instalar ao ar livre, na zona entre a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos, uma obra de arte pública de grandes dimensões.

«Sonho com uma obra de grande qualidade e impacto que possa tornar-se um ex-líbris de Lisboa, tal como a Torre Eiffel é de Paris ou o Empire State Building é de Nova Iorque», explica Joe Berardo.

Thursday, August 11, 2005

Aviso à navegação











Soube agora mesmo que "A Ópera de Três Vinténs", no Teatro Aberto, só estará em cena até Domingo dia 15 de Agosto.

Quem ainda não viu esta versão do clássico de Brecht, com a esplendorosa música de Kurt Weill,


que se apresse....

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