Saturday, June 2, 2007

Filipe Moura assinou por Carmona Rodrigues

Participei ontem na recolha de assinaturas por parte de Carmona Rodrigues para a sua candidatura à Câmara de Lisboa. Antes de assinar, deixei bem claro que Carmona não era o meu candidato, e que só assinava por querer que Carmona retire votos a Fernando Negrão, que considero o pior de todos os candidatos. Aceitaram a minha assinatura, algo contrafeitos. A democracia também é isto.

Friday, June 1, 2007

A Greve Geral e a Ofensiva do Governo

Foto de Brigitte Boitel Bonfils

A Greve Geral de 30 de Maio tem sido objecto nos últimos dias de grandes discussões, acima de tudo sobre o alcance e o êxito obtidos. Para o Governo foi um fracasso, o que justifica a continuação da sua política, para o PCP, tal como para a corrente maioritária da INTER, foi "um poderoso aviso ao Governo", segundo noticia o Avante na primeira página de hoje (1/6/07).
Sobre estas duas perspectivas tem-se vindo a desenrolar toda a argumentação, que, como era de prever, encontra nos números que o Governo forneceu e os parciais que a INTER foi revelando a sua principal fonte de confrontação. Resumindo, o Governo afirma que a greve não foi geral mas sim parcialíssima e a CGTP a garantir que não era esse o seu objectivo, visto que pretendia mostrar unicamente o grande descontentamento dos trabalhadores.
Quanto a mim, sendo a apreciação do seu êxito ou fracasso um aspecto importante, e os números, pelo menos em termos mediáticos, um tema não despiciendo, penso que a principal conclusão política que se pode tirar desta greve é a excessiva intervenção do Governo, que parece ser um facto novo e de extrema importância.
Noutras ocasiões, já durante a maioria absoluta do PS, o Governo tem ignorado com olímpico desdém as greves da Função Pública, avançando com números facilmente contraditados ou afirmando mesmo que não se mete nessa discussão. Neste caso foi diferente. O Governo teve a preocupação, em todos os campos, de afrontar a greve e de a transformar, com dados reais ou fictícios, com conferências de imprensa à hora do almoço e do jantar e ainda com o Silva Pereira, à noite, na SIC Notícias, num fracasso para a CGTP e por tabela para o PCP e para o Bloco, o primeiro porque a marcou e o segundo por se sentir obrigado a apoiá-la. Segundo António Filipe no “Debate da Nação”, na RTP I, houve mesmo sete membros do Governo envolvidos nesta operação.
Nesta contra-ofensiva governamental houve de tudo. Os serviços públicos de transportes ameaçaram os trabalhadores e deturparam os serviços mínimos, na Função Pública houve alguns organismos que queriam elaborar listas nominais de grevistas, anuladas pela Comissão Nacional de Protecção de Dados, e um Secretário de Estado fez de porta-voz das entidades patronais anunciando o resultado da greve nos privados. Para terminar, e sem descrever exaustivamente todas as ameaças que foram feitas, gostaria de chamar a atenção para um facto gravíssimo, que transforma os jornalistas em cães de guarda do Governo, ao interromperem uma conferência de imprensa de Carvalho da Silva para lhe pedirem números sobre a greve, quando momentos antes tinham ouvido com todo o respeito, como é prática corrente em todas as conferências de imprensa, os Secretários de Estado a darem a sua opinião sobre a greve.
Num momento de grande desgaste governativo, como sejam os casos, primeiro da licenciatura do Primeiro-Ministro e mais recentemente das declarações de Mário Lino ou da suspensão do professor Charrua, da DREN, em que Governo se tem limitado a resistir ou a fingir que não percebe, verificamos que, neste caso, este passou à ofensiva, tentou humilhar os sindicatos e ainda recorreu à UGT, que fez no dia a seguir à greve declarações perfeitamente provocatórias – "foi a menos participada de sempre das convocadas pela CGTP e demonstrou a arrogância daquela central sindical" –, para atacar a CGTP. Ou seja, o Governo preparou a ofensiva e está a explorar o sucesso da mesma.
Podemos dizer que o PCP, e a INTER por tabela, levado pelo seu desvio esquerdista e sectário, não foi capaz de compreender na ratoeira em que se meteu e transformou os êxitos, por todos reconhecidos, das últimas manifestações dos professores e dos trabalhadores em geral, numa jornada de luta de contornos e conteúdo mal compreendidos no conjunto da sociedade, facilitando de algum modo os ataques do governo e da imprensa alinhada.
Podemos concluir que o Governo escolheu a Greve Geral e a contestação dos trabalhadores como os seus inimigos principais e pretendeu, combatendo no terreno a paralisação e no campo ideológico promovendo a sua desvalorização e realçando o suposto apoio que tem da população para empreender as reformas de direita, acabar de vez com a contestação laboral. Estamos neste caso perante um velho problema do movimento operário em que a social-democracia, utilizando aqui a sua denominação histórica, aparece como a guarda avançada dos interesses económicos e do patronato, no fundo da direita, e a esquerda da social-democracia, obcecada com este inimigo, se deixa arrastar para o esquerdismo e o sectarismo. Temos pois que romper com este velho dilema.

O primeiro livro de ficção do Rui Tavares

...chama-se O Arquitecto, é sobre Minoru Yamasaki, "um artista amaldiçoado pela história, mais célebre pelas obras que lhe destruiram do que pelas que construiu". O livro é uma edição da Tinta da China e terá uma sessão de autógrafos com a presença do autor hoje às 21:30 na Feira do Livro de Lisboa.

A Física e a pseudociência das constantes

Vale a pena ler: Varying Speed of Light (VSL) theories: crackpots par excellence (sobre o trabalho de João Magueijo) no The Reference Frame, e ainda E ao terceiro livro passou-se: a pseudociência do ano; O que é o princípio antrópico?; Cosmologia, Deus e a Ressureição, todos no De Rerum Natura.

Thursday, May 31, 2007

O fim do trio-maravilha



Quem assiste aos jogos pela televisão não se apercebe tanto. Só quem assistiu ao vivo aos jogos do Sporting (como eu assisti com o Belenenses) pode aperceber-se da enorme cumplicidade entre Nani, Djaló e Miguel Veloso. João Moutinho, sendo da mesma geração, ascendeu à equipa principal mais cedo do que eles. É mais "adulto", na mentalidade, na atitude. Mas Djaló, Miguel Veloso e Nani, juntos, pareciam três colegas do liceu. Voltar a vê-los juntos, só na selecção. Desejo as maiores felicidades ao Nani, e que os outros dois façam carreiras brilhantes no Sporting.

Um novo emblema para Lisboa

Dadas as circunstâncias proponho que, em simultâneo com as eleições para a CML, seja referendado pelos lisboetas um novo emblema para a cidade. Aqui ficam algumas sugestões:









(clicar nas imagens para ampliar)

'That Guy'




A mais esplêndida lista dos últimos tempos, com uma introdução que vale a pena citar na íntegra: «What is a "That Guy"? A That Guy is a B-list character actor who's just talented enough to secure bit parts in a handful of movies every year, but not quite talented enough to become a brand-name star like Chris Kattan. Some specialize in playing villains and others in having freaky-enormous chest tattoos, but combined, these brave, barely handsome men have appeared in every single movie produced in the last decade.».

Creio que cada um de nós teria dois ou três nomes de culto para adicionar à lista. Pessoalmente acho quase criminosas as ausências de Reginald VelJohnson (que, depois do seu papel em Die Hard, interpretou o mesmo "polícia decente e honrado' em pelo menos mais duas centenas de filmes) e Brian Dennehy (o tal que, décadas depois de ter atormentado Rambo, ainda anda por aí a fazer de "xerife corrupto e violento de pequena cidade americana", papel estereotipado que vai intercalando com algumas variações artísticas sobre o tema "xerife bonacheirão, porém algo cínico, de pequena cidade americana").
Mas os meus preferidos são Michael Wincott e Michael Lerner (os senhores nas imagens). O primeiro especializou-se em fazer de vilão roufenho, preferencialmente contra heróis semi-desenhados. Foi némesis de Robin Hood, do Corvo, dos Mosqueteiros, e até de Cristóvão Colombo, tendo ainda arranjado tempo para produzir discos dos Doors no filme de Oliver Stone.
O segundo tem menos visibilidade, mas foi o responsável pelo supremo "That Guy" do cinema recente: o seu fabuloso ditador de gabinete em Barton Fink não fez escola, mas devia ter feito.

(Adenda: Já não me lembro se a peça do O'Neill inclui algum xerife corrupto, mas acredito que o Dennehy tenha sido inexcedível na dita, independentemente do papel que lhe coube.
Mas o currículo teatral não é para aqui chamado. Ser um 'That Guy' não exclui necessariamente a posse de um enorme e camaleónico talento. A melhor experiência teatral acessível ao público português nos últimos 50 anos foi a interpretação de um homem chamado Fernando Luís na peça "O Poder da Górgone", do Peter Shaffer. O Fernando Luís é o "That Guy" que fez uma série da SIC chamada "Médico de Família" e mais um programazeco com um cão-polícia. E garanto que seria igualmente notável a fazer de intelectual tuberculoso, ou de xerife corrupto.)

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