Tuesday, February 1, 2011

A Quinta da Coelhinha


O povo votou e os seus votos foram cuidadosamente contados.
Passadas três semanas sobre o domingo eleitoral constato, com repulsa, que mais ninguém se referiu às tão melindrosas perguntas que Cavaco devia responder para sossegar o país.
Então e as acções do BPN? então e a Casa da Gaivota Azul? Esfumaram-se.
Ou as perguntas eram apenas um oportunismo eleitoral ou então, pior ainda, os cidadãos que as formularam com voz grave não têm coragem para enfrentar um Presidente.
Hoje, como se os seus críticos não estivessem já suficientemente desprestigiados, Cavaco deu-se ao luxo de uma bofetada com luva branca, esclarecendo a questão da sisa (que a maior parte dos portugueses nunca pagou integralmente).
Tudo isto é demasiado mau para ser verdade. A política tornou-se uma espécie de Quinta da Coelhinha (até parece o nome de uma produção pornográfica de segunda categoria).
Como podem esperar que o povo corra para as urnas quando resolvem chamá-lo?

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Monday, January 31, 2011

Obrigado por tudo, levezinho!

O melhor marcador do Sporting nas competições europeias e um avançado verdadeiramente inesquecível. Só é pena que saia sem o título que ele (mais do que outros jogadores, treinadores e dirigentes) merecia. Nunca te esqueceremos!

O nosso Vietname

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retrouver ce média sur www.ina.fr



Um excelente documentário sobre a guerra na Guiné, o nosso Vietname.
Por lá andei durante dois anos, precisamente nesta época em que Spínola era governador.
Para que não se esqueça que houve uma geração inteira que foi sacrificada.

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Sunday, January 30, 2011

Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele

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A população portuguesa cresceu entre 1981 e 2007, segundo o INE, 764.734 unidades, ou seja, menos de 8%. Como podem os inscritos nos cadernos eleitorais ter aumentado 2.039.215, o que representa 26,7%?
Em 1986 os inscritos eram 83% da população mas em 2011 já eram 90%. Onde foram parar os menores de 18 anos?

O partido socialista sabe que pisou o risco durante a campanha eleitoral e agora, através da minimização da vitória de Cavaco, tenta infantilmente precaver-se contra as consequências.
Por causa disso criou uma teia de pseudo argumentos baseados no elevado grau de abstenção que se verificou no dia 23. Mas esta manobra é feita sem respeito pela realidade que se vê manipulada para servir meros objectivos partidários. 

Com efeito, o número de inscritos nos cadernos eleitorais, óbviamente inflaccionado, desaconselha que se usem as percentagens de abstenção como base de qualquer análise que se pretenda séria.
Mas os números absolutos não deixam margem para dúvidas. Houve mais votantes em 2011 do que em 2001 quando Sampaio foi reeleito.
Ora Sampaio não se coibiu, apesar disso, de demitir um governo que dispunha de apoio parlamentar maioritário.

Essa decisão, que na altura foi classificada por muitos como perigoso precedente, não augura nada de bom para Sócrates.
Como diz o povo "quem não quer ser lobo não lhe veste a pele".

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Saturday, January 29, 2011

Yao Che, o outro planeta

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A atriz e "rainha" de microblog da China, Yao Chen, tornou-se a primeira pessoa a ter 5 milhões de fãs online, o que reflete o rápido desenvolvimento dos microblogs no país mais populoso no mundo.
Yao tinha 5.000.0001 fãs no t.sina.com.cn, site de microblog semelhante ao Twitter, que registra mais usuários no país em comparação aos outros sites de microblog, até às 14h34 da sexta-feira, e logo o número de fãs de Yao cresceu 3.744 em apenas uma hora e meia.
Yao foi considerada como "rainha de microblogs" pelo sina.com.cn, que informou que ela atrai internautas por dizer o que pensa como se estivesse conversando com amigos.
A atriz de 32 anos tornou-se famosa em 2006 pelo seu papel no seriado cômico "My Own Swordsman". Ela também teve sucesso na série televisiva "Lurk", em 2008.
Entre os dez microblogs mais populares do mundo, o de Yao é o primeiro que não pertence ao Twitter, de acordo com a empresa de marketing de mídia social asiadigitalmpa.com.
O número de fãs do microblog de Yao ultrapassou o de Oprah Winfrey, apresentadora de TV dos Estados Unidos.
O serviço de microblog Sina contava com 50 milhões de usuários até outubro de 2010.
Um total de 157.542 mensagens foram postadas nos primeiros dez minutos de 2011, ou 2.625 por segundo.
Os usuários de microblog na China totalizaram 53,11 milhões, ou aproximadamente 13,8% dos internautas chineses, até o final do ano passado.

Xinhua

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Thursday, January 27, 2011

O orgulho ferido de ser do Sporting

Texto escrito para o Delito de Opinião, por simpático convite do Pedro Correia

O Sporting atravessa uma crise pior, mais profunda, que a das décadas de 80/90. Nessa altura nunca perdi a esperança no clube e nunca temi uma “belenensização”. Acredito que o Sporting é grande o suficiente para ultrapassar esta crise; porém, nunca temi tanto pelo futuro do clube como hoje.
Por que temo? Qual é a razão que leva alguém a ser sportinguista? Não há uma resposta simples, mas basta um pouco de sociologia de almanaque (corroborada por inquéritos e estatísticas) para caracterizar os sportinguistas. No meu caso, basta dizer que, tendo estudado em Lisboa, no ensino primário e básico os benfiquistas estavam em larga maioria na turma, no secundário eram ela por ela com os sportinguistas e no ensino superior os sportinguistas eram uma larga maioria: no meu curso os benfiquistas contavam-se pelos dedos de um pé. Os sportinguistas vencem na vida; por que razão não vence o clube?
Justamente por os sportinguistas estarem muito mais preocupados com as suas vidas do que com o seu clube, ao contrário dos benfiquistas, para quem o clube é tudo. É a chamada “falta de militância”, tão bem diagnosticada pelo anterior presidente.
É este desapego pelo clube que distingue e diria mesmo que dá graça aos sportinguistas. Agora, pode um clube não ser popular e mesmo assim ser grande? A história do Sporting diz que sim. Mas para tal tem que ter bons dirigentes e ser bem dirigido. São duas coisas diferentes.
Por “bem dirigido” entende-se um clube financeiramente viável, que saiba criar talentos e fazer bons negócios, sem vender ou comprar de qualquer maneira. Que tenha objetivos desportivos ambiciosos e realistas. Não é o que se tem visto no Sporting, pelo menos no mandato da direção cessante, com dinheiro gasto ao desbarato na contratação de jogadores, treinadores e sobretudo dirigentes sem qualidade, que contratam os seus amigos à beira da reforma.
Por “bons dirigentes” entende-se dirigentes que entendam a cultura e as peculiaridades do Sporting. Por muito que o Sporting não ganhe tantos títulos como os outros, a postura de vencedores na vida que até ganham de vez em quando é o que mais irrita os nossos adversários (particularmente os benfiquistas). Desde que ganhem – os benfiquistas detestam que o Sporting ganhe; os sportinguistas adoram que o Benfica perca. O que mais irrita os benfiquistas é que no fundo eles admiram os sportinguistas e adorariam ser como eles.
Os dirigentes do Sporting têm que perceber esta realidade e estar à altura dela. Não é o que se tem visto, com declarações inenarráveis – muito piores do que meras gafes – do presidente agora demissionário. Deste que esta direção ainda em funções tomou posse, deu exemplos de péssima gestão – afinal as credenciais do presidente eram as de ter gerido um grande banco, e a presente crise nacional e internacional demonstra que gerir um banco não é sinónimo de ser bom gestor. Mas criou situações inacreditáveis – a lista é infelizmente muito longa: um presidente que manda calar e tenta agredir adeptos que o contestam; um vice-presidente que julga que os adeptos que contestam não deveriam ter lugar no clube; um relações-públicas antigo chefe de claque que instiga a desacatos; um chefe do departamento de futebol autoritário que entra em conflito com os melhores jogadores; a proibição do uso de calças de ganga; mas sobretudo o presidente que acha que ser casado com alguém benfiquista é “uma infelicidade” e que os pais é que escolhem o clube dos filhos.
Todos estes episódios – particularmente aqueles que envolveram o presidente – causaram-me um sentimento que nunca antes sentira: vergonha do meu clube. Voltando ao princípio: nunca – nem durante o longo jejum de títulos de 18 anos – eu temera o fim do Sporting enquanto clube grande, a “belenensização”: se havia algo que caracterizava os sportinguistas, apesar da falta de militância (e da falta de vitórias) era esse orgulho de ser de um clube único. Nos tempos mais recentes, e devido a esta desastrosa direção, ser do Sporting não tem sido motivo de orgulho. O meu desejo para 2011 é que ser do Sporting volte a ser motivo de orgulho o mais depressa possível.

Wednesday, January 26, 2011

Se isto não é o povo...onde é que está o povo ?

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No rescaldo das eleições há, surpreendentemente, uma data de tipos a listar os defeitos e as limitações do vencedor. É paradoxal pois isso costuma fazer-se antes de os votantes irem às urnas.

Ele é inculto, ele é crispado, ele é uma espécie de matrioska com um primeiro-ministro lá dentro, ele não sabe comer pão-de-ló, em suma ele não tem nível. A esquerda com Cavaco não tem resistido ao preconceito classista. Detesta o seu cheiro popularuncho.

Trata-se talvez de uma birra, uma demonstração de infantilidade (lembram-se da tal doença comunismo de que falava o outro?) destinada a vingar a desfeita perpetrada pelo povo.
Chamar burro ao povo justamente quando ele acabou de votar não parece ser políticamente inteligente e revela uma curiosíssima noção de democracia (depois acham estranho que as pessoas não votem).
Esta gente nunca mais percebe que democracia = "o povo tem sempre razão". Quando discordamos do voto popular somos nós que estamos a falhar alguma coisa.
O exercício, ou exorcismo, é absolutamente inócuo já que o destinatário deste vudu se livrou, precisamente no último Domingo, das peias que costumam alimentar o calculismo dos políticos. Já teve duas maiorias absolutas como primeiro-ministro e outras duas como presidente.
Depois disto a única coisa que se perfila no seu futuro é brincar com o combóio eléctrico dos netos.

Eu até acho que é precisamente de uma pessoa com as mãos livres que o país precisa para sair do circulo vicioso, e viciado, em que se afunda.
Não me parece é que Cavaco esteja à altura do desafio.

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