Monday, March 3, 2008

Após o dérbi















Algumas notas:

- o “espectador talismã” que eu era desta vez não funcionou... A tradição de que sempre que eu ia ao Alvalade XXI o Sporting ganhava não se cumpriu. Mas também creio não se ter cumprido outra (que não sei precisar tão bem se é verídica, pois vem de tempos mais remotos, do velho estádio de Alvalade), bem mais desagradável: sempre que eu assisto ao vivo a um Sporting-Benfica, o Benfica ganha. A última vez foi a final da taça de Portugal, com o very-light;
- falando em “very-light”, muitos objectos estranhos foram arremessados ontem ao relvado, por ambas as claques, durante o jogo. Os Diabos Vermelhos não cumpriram o minuto de silêncio dedicado a Cabral Ferreira. Adeptos da Juventude Leonina apedrejaram as claques do Benfica, quando estgas chegaram. A isso se deveu o ambiente nas imediações do estádio, quando eu cheguei: parecia que estava no meio de um arrastão de adeptos do Sporting, a serem perseguidos pela polícia;
- pelo que eu descrevo, houve um ambiente de ódio no jogo entre o Sporting e o Benfica, que passou de fora para dentro do estádio, com as claques a provocarem-se mutuamente através das suas palavras de ordem (por vezes mais preocupadas com isso do que com apoiarem as respectivas equipas). Não foi muito agradável. Por comparação, o Sporting-Porto a que assisti em Janeiro foi muitíssimo mais tranquilo, sem incidentes nem provocações. Só por curiosidade, e para desempatar, gostaria de saber como é um Benfica-Porto;quanto ao jogo em si, quem o viu tem que aceitar o resultado. Ficou um penalti por marcar, pois ficou, mas com a eficácia que o Sporting tem tido a converter penaltis esta época isso quer dizer muito pouco. Houve momentos em que o Sporting foi melhor, mas o Benfica conseguiu reequilibrar e, até ficar em inferioridade numérica, estava a ganhar a batalha a meio-campo. Aguardo pela desforra nas meias finais da Taça: o sorteio foi mesmo o que eu queria! Espero por mais uma final Sporting-Setúbal (para mais outra desforra).

Blogspoticamente vosso

«The poet Glyn Maxwell likes to conduct the following test in his writing classes, one apparently used by Auden. He gives them Philip Larkin's poem 'The Whitsun Weddings', with certain words blacked out. He tells them what kind of words - nouns, verbs, adjectives - have been omitted, and how they complete the metre of the line. The aspiring poets must try to fill the blanks. Larkin is travelling by train from the north of England to London, and as he watches from the window, he records passing sights. One of these is a hothouse, which he renders: 'A hothouse flashed uniquely.' Maxwell excises 'uniquely', telling his students that a trisyllabic adverb is missing. Not once has a student supplied 'uniquely'..»

- James Wood, How Fiction Works

(Não sei o que é que será mais surpreendente nesta história: o facto de haver jovens aspirantes a poetas que não conheçam o 'The Whitsun Weddings', ou o facto de autorizarem um poeta a dar aulas. Há alguém que não goste de advérbios de modo? Infelizmente há. Há uma certa escola de composição literária que tem horror ao advérbio de modo. É composta, maioritariamente, pelas mesmas pessoas que têm horror ao ponto-e-vírgula, ao Sporting, à civilização, aos animaizinhos fofos do bosque. São pessoas muito más. A verdade é que não há nada de errado com advérbios de modo, desde que sejam bem utilizados. Frank Kermode, um homem que podia facilmente ser meu amigo se me conhecesse, explicou isto muito bem. neste texto sobre Martin Amis. Qualquer pessoa que dê pontapézinhos em Don DeLillo podia facilmente ser meu amigo:

«
An especially favoured site of cliché infection is the adverb. When Don DeLillo has a character say something ‘quietly’ you know he’s drawing on a long tradition of ‘said quietly’ as a conventional announcement that the remark it follows should be taken as particularly impressive. Ordinary reviewers, and even this extraordinary reviewer, cannot manage without the likes of ‘genuinely pleased’ or ‘brilliantly realised’, ‘brilliantly told’. These are rare instances of Amis himself catching a dose of the disease, and, like much of his rather less brilliant writing, they tend to occur in essays on the authors he most respects, in this case V.S. Naipaul.
Normally he protects his health and virtue by ranging as far as possible from adverbial conventionality. I made a list of recherché adverbs, of which this is a selection: ‘beamingly upbeat’, ‘lurchingly written’, ‘deeply unshocked’, ‘embarrassingly good’, ‘tremendously unrelaxed’, ‘fruitfully uneasy’ (Pritchett), ‘pitifully denuded’ (admittedly apt, for a Leavisian bookshelf), ‘janglingly discursive’, ‘remorselessly indulgent’, ‘scarily illusionless’, ‘hugely charmless’, ‘promiscuously absorbed’, ‘customarily rotted’, ‘chortlingly habituate’, ‘finessingly cruel’, ‘implacably talented’, ‘bicker halitotically’.
The great thing about these expressions is that the author can be fairly sure they will never be used again, much less become new enemies of clear thought and virtue.
»

Bom, a votação ali de baixo foi adulterada por pessoas ligadas ao Sapo, numa manifestação de despudor anti-democrático que me deixou boquiaberto. O Sapo não quis deixar o povo decidir. Eu registo. O número de pessoas que suspira quando pensa neste blogue é também consideravelmente menor do que eu julgava. Eu registo. O novo livro de James Wood já está disponível na FNAC do Chiado (em capa mole, não percebo), por dezasseis euros, permitindo que a população lisboeta se torne finalmente tão chata quanto eu. Aquilo era penalty. Aquilo nem sequer era canto. Estou muito desencantado com toda uma série de coisas.)

O pedido de demissão de Sócrates está na ordem do dia

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O país assiste atónito ao afundamento da primeira maioria absoluta do Partido Socialista, apesar de na campanha eleitoral em 2005 Sócrates ter pedido a maioria absoluta como uma espécie de seguro contra a incerteza.

Passados três anos o PS não tem qualquer rival partidário que o atormente mas todos temos a sensação de que a sua capacidade para governar nos moldes que tinha anunciado é cada vez mais titubeante.
O ministro da saúde já foi despedido, sob um paradoxal coro de elogios à sua competência, e a ministra da educação vai segui-lo a muito curto prazo apesar de ser outro dos membros do governo que parece saber para onde quer ir.

O governo está cada vez mais enredado e manietado por forças contrárias que desafiam o conceito de democracia tradicional, talvez porque a maioria absoluta não dá muitas hipóteses à luta partidária convencional. Sucedem-se as campanhas mediáticas, as providências cautelares, os pedidos de demissão, as manifestações e as greves com laivos de desobediência civil.

Se isto fossem expressões genuínas de grandes massas do povo talvez tivéssemos razões para nos congratular mas as sondagens aí estão para nos mostrar que o governo continua a gozar de grande popularidade e, mais importante ainda, que a população não descortina qualquer alternativa credível no panorama partidário. Se todo este ruído é apenas a expressão de particularismos, jogos de interesses corporativos e aproveitamentos demagógicos, então talvez tenhamos boas razões para temer pelo futuro da nossa democracia.

Se aqueles que moram nos arredores de um SAP que se decidiu encerrar, ou os professores que não admitem ser avaliados, desfilando nas ruas, têm o poder de correr com os ministros de um governo que tem maioria na Assembleia da República, então o cidadão votante interrogar-se-á sobre a utilidade de visitar as urnas de quatro em quatro anos. Ninguém parece saber muito bem como gerir este equilíbrio entre a "legitimidade democrática" e os descontentamentos, quantas vezes desproporcionados, de grupos sociais que têm um enorme poder funcional. Em termos de crise de funcionamento da democracia é indiferente saber se a razão está do lado do governo ou de quem protesta nas ruas.

Neste quadro é legítimo desenvolver a seguinte antevisão para o período que nos separa das próximas eleições em 2009:

- as reformas desencadeadas pelo governo encontram cada vez mais obstáculos da parte daqueles que se consideram lesados (quaisquer que sejam as medidas que se tomem haverá sempre quem legitimamente possa invocar prejuízos)

- os ministros vão sendo substituídos por versões light que, de cedência em cedência, desbaratam o próprio sucesso obtido ao nível das contas públicas

- o PSD e o CDS, que actualmente são a principal fonte do anedotário nacional, bebem novo folego nos recuos do governo e renovam-se para as eleições.

- o PCP e o BE, que podem reclamar a parte de leão nas derrotas de Sócrates, vão para as eleições de 2009 em condições de roubar uma parte importante do eleitorado da esquerda do PS.
- as forças centrífugas no interior do PS, com destaque para Manuel Alegre, são aceleradas com efeitos imprevisíveis.

Quem olhe para esta descrição não poderá estranhar que Sócrates se demita e provoque eleições antes de 2009 já que a passagem do tempo lhe é desfavorável em todos os tabuleiros referidos.

O PS tem maior probabilidade de ganhar as eleições em 2008 do que em 2009 mas, como já se percebeu, ganhar as eleições não é tudo. Tal manobra, para além de aumentar as hipóteses de vitória nas eleições, destinar-se-ia também a referendar as reformas do governo e a desbaratar a oposição das classes profissionais e dos interesses regionais que a elas resistem.

Se ainda há salvação para Sócrates ela só poderá vir de um apelo dramático ao povo que assiste pela televisão à infindável guerra de trincheiras entre o governo, o poder judicial, os sindicatos e as autarquias.

Será que Sócrates tem a necessária coragem populista ?
Por ironia do destino, ou talvez não, três anos depois do derrube de Santana (também ele apoiado numa maioria absoluta) o populismo volta a ser o fantasma de Portugal.

Sunday, March 2, 2008

Divertimento

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Acho que os tipos de Chipre nos passaram a perna. E de uma forma perfeitamente genial. De repente, chamaram a atenção da Imprensa internacional e o seu Presidente, de quem ninguém sabia o nome, transformou-se numa vedeta. A «Time», a «Newsweek», a CBS, a NBC, enfim todos os potentados internacionais da informação apontaram as baterias para o homem.
Porquê? Porque o tipo que eles elegeram é comuna.

Seis ideias para bater o comuna cipriota

1) Declaras-te também comuna; é um pouco «déjà vu», mas ainda tem o seu charme. Como és economista, dizes: estudei a fundo «O Capital», agora que sou Presidente e tenho tempo para estas coisas, e decidi, depois de muito pensar (as dúvidas ficam ao teu critério), aderir às teses do comunismo.

2) Declaras-te homossexual. Também faz muito efeito e é inédito ter um Chefe de Estado «gay». É de um domínio um pouco mais íntimo do que ser comunista mas, em contrapartida, é muito mais surpreendente e tem mais adeptos.

3) Mandas calar o Rei de Espanha numa cerimónia pública. É um pouco mal educadito mas teria ampla repercussão e cobertura, sobretudo na Venezuela, Cuba e esquerda folclórica. Os americanos vinham a correr.

4) Chamas estúpido ao Sarkozy em público e aguentas-te à bronca da resposta do homem. Seria uma loucura mediática, mas nada que não se resolvesse com um assessor recrutado no mercado do Bolhão.

5) Ou, melhor ainda, começas a namorar com a Carla Bruni (é difícil, mas se precisares de ajuda neste ponto, cá estou eu).

6) Tornas-te místico, vestes uma toga branca e vais viver numa gruta. É um sacrifício pessoal, mas também para o que comes, bebes e gozas a vida deve-te ser relativamente indiferente. E a CNN, a BBC e outras não resistiam.

Comendador Marques de Correia, Expresso 01.03.2008

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Saturday, March 1, 2008

Estatísticas de dois anos

De acordo com o sitemeter, 91082 visitas, 114589 carregamentos de página.
De acordo com o motigo (não muito apreciado por alguns leitores...), 96473 visitas, 66,1% das quais de Portugal, 13% do Brasil, 4,9% de França, 3,1% dos EUA, 2,5% do Reino Unido, 2,1% da Alemanha, 1,6% da Suíça, 1,4% da Espanha, 0,9% da Holanda, 0,5% da Bélgica e 4,0% de outros países. 15,5% à segunda, 15,9% à terça, 16,4% à quarta, 16,1% à quinta, 14,7% à sexta, 10,6% ao sábado e 10,8% ao domingo.
Muito obrigado a quem vai por aqui passando.

Depois de muita pressão, oriunda de vários quadrantes:

O Pastoral Portuguesa deve mudar-se para o Sapo, como todos os outros Judas?
Nunca! Seria o maior desgosto da minha vida, sinceramente, senhor Casanova
Nao me incomoda, mas tambem nao vejo pressa. Pode decidir la para 2009, por exemplo
Eu acho que sim, que devia mudar (mas no meu intimo penso exactamente o oposto)
Desde que o possa continuar a ler todos os dias, nada mais me interessa (suspiro)
Nao tenho o menor interesse nesta questao ou neste blogue (acha? estou a brincar consigo, homem!)
pollcode.com free polls

Acorda Europa


Pequim inaugurou o maior terminal aeroportuário do mundo.

O novo edifício foi concebido pelo arquitecto britânico Norman Foster e custou 2,7 mil milhões de dólares (1,77 mil milhões de euros), sendo a maior estrutura coberta do mundo.

O arquitecto britânico criou a obra à semelhança de um dragão gigante, com uma longa cauda e clarabóias de formato triangular que lembram as escamas da mítica criatura e permitem aproveitar ao máximo a luz natural e conservar o calor.

Foster utilizou vidro e aço para a estrutura em forma de "I" e recorreu à alta tecnologia para unir elementos arquitectónicos tradicionais chineses, como as colunas vermelhas e o tecto curvilíneo dourado que evocam os palácios imperiais da China.

A estrutura colossal é mais uma obra de escala e números impressionantes, das várias que a China tem vindo a construir para modernizar a capital chinesa para os JO de Pequim.

O edifício estende-se por 3,25 quilómetros e ocupa 986 mil metros quadrados, o equivalente a 170 campos de futebol.

As pistas estão desenhadas para receber o A380, o gigante da construtora aeronáutica europeia Airbus, e o controlo das bagagens é realizado pelos sistemas de tecnologia mais avançada.

Nas instalações, os passageiros terão acesso a mais de 64 restaurantes chineses e ocidentais e mais de 90 lojas, e poderão chegar ao centro da cidade através de um comboio de alta velocidade.

O terminal levou quatro anos a ser construído, com 50 mil operários a trabalhar na obra.

Três pessoas morreram na construção, confirmaram as autoridades chinesas.

O mega-terminal vai permitir um trânsito de 76 milhões de passageiros por ano, ultrapassando os 53,7 milhões que circularam em 2007 pelo aeroporto de Pequim, um dos dez mais movimentados do mundo.

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