Friday, July 4, 2008

Daniel do avesso do avesso

Escreve o Daniel Oliveira, directamente dos EUA:
Estou a adorar os comentários pró e anti-americanos aqui no blogue. Pró e anti o quê? Hoje estive numa gigantesca Marcha do orgulho gay, com polícias, pastores, bombeiros, congressistas e travestis. Os pró-americanos aplaudem? Os anti-americanos reprovam?

Eu compreendo perfeitamente o que o Daniel escreve. Também o senti muitas vezes, quando viva nos EUA. No meu caso foi, por exemplo, quando participava em manifestações gigantescas contra a Guerra no Iraque em Nova Iorque. Ou quando passava o Thanksgiving na companhia de americanos ecologistas e anarquistas. Uma vez mais, os pró-americanos aplaudiriam? E os anti-americanos reprovariam?
Muitos dos nossos antiamericanos não fazem a menor ideia do que são os EUA. Se fizessem essa ideia, talvez vissem as coisas com outros olhos. Mas exactamente o mesmo pode ser dito de muitos dos mais radicais pró-americanos, os mais ardorosos defensores da invasão do Iraque, que quanto muito dos EUA conhecem o Rockefeller Center e a Quinta Avenida.
O texto do Daniel confirma: ir aos EUA faz bem às pessoas de esquerda.
Bom 4 de Julho para todos.

Também JPP, felizmente

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Pacheco Pereira é um exemplo notável de como a inteligência e a "bagagem" cultural não nos põem a salvo das patetices ditas humanas e dos pequenos amores/ódios de estimação. Ainda bem que assim é, mas convém estarmos conscientes do fenómeno.

A explicação (António Costa chamou-lhe tradução) que Pacheco Pereira fez ontem, na "Quadratura do Círculo", da embrulhada de Manuela Ferreira Leite sobre a "emergência social" e a falta de dinheiro para os "megaprojectos", vai ficar na antologia da criatividade política. Se tivesse sido enunciada por Santana Lopes, um dos seus ódios de estimação, esta explicação divertiria o país durante todo o Verão.

A sorte de JPP foi nenhum dos interlocutores lhe ter pedido para "traduzir" também as afirmações de Manuela Ferreira Leite sobre o casamento dos homossexuais. Acho que nem o talento de JPP conseguiria apaziguar a rapaziada da "esquerda bem-pensante"...

Thursday, July 3, 2008

Nuvens sobre Ingrid


É claro que saúdo a libertação de Ingrid e dos outros sequestrados na Colômbia.
Mas lamento ter que ensombrar a onda de comemorações na blogosfera mencionando algumas nuvens que pairam sobre este feliz acontecimento.

Fiquei perplexo quando vi a Ingrid aparentemente de boa saúde depois de me terem convencido de que ela estava às portas da morte na selva Colombiana. Muitos cidadãos mais sensíveis ter-se-ão sentido ludibriados, o que pode vir a prejudicar os sequestrados que ainda não foram libertados.

A mim o que mais me choca é alguém ter pensado que estar sequestrado na selva durante seis anos não é suficientemente grave para comover o público.

Também não me causou boa impressão ver o aproveitamento feito pelo Sarkozy e o óbvio exagero à volta de Ingrid que, por razões misteriosas, goza de "protecções" que não são dispensadas a muitos outros sequestrados.

Isto é uma Pandalheira

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Estou farto de ver nas televisões referências ao novo filme da Dream Works acerca de um panda que quer aprender Kung-fu. Hoje saltou-me a tampa quando, quase a abrir o noticiário da RTP das 20 horas, o José Rodrigues dos Santos introduziu o tema sem se perceber porquê.
Também a "estação de serviço público" se presta a estes favores ? O marketing não respeita qualquer barreira, já sabemos, mas alguém tem que o impedir de abusar.

Wednesday, July 2, 2008

Algumas “delícias” sobre esses parasitas chamados senhorios

Tenho andado a comentar no Cinco Dias, a propósito de textos de Fernanda Câncio sobre o mercado de aluguer de casas. Enquanto não escrevo sobre esse assunto, vão lendo .

Tuesday, July 1, 2008

A esquerda e o Robin dos Bosques

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Há dias Robin dos Bosques, a lenda inglesa do século XIII, voltou à ribalta prosaicamente como nome de taxa. Os jornais disseram que Sócrates “pode vir a aplicar um imposto sobre os lucros das companhias petrolíferas, que depois de cobrado será aplicado em causas sociais”.
Qualquer pessoa percebe que se trata de uma medida demagógica que nada resolve e que se destina apenas a fingir que o governo “tira aos ricos para dar aos pobres”.
Não se pense no entanto que esta manobra é um exclusivo de Sócrates e do seu governo, mesmo aqueles que se pretendem revolucionários fazem o mesmo. Quem não se lembra do slogan “os ricos que paguem a crise” e do “imposto sobre as grandes fortunas” durante a campanha eleitoral do BE ?
Pode dizer-se que a esquerda, de uma forma ou de outra, continua a cavalgar a ideia absurda de que os males da sociedade, das classes desfavorecidas da nossa sociedade, se resolvem distribuindo as riquezas dos poucos que as têm pelos muitos que padecem. Esta visão apoia-se no primarismo intuitivo e na inveja espontânea.

Mas os que defendem o “Estado Social”, e pensam estar a praticar a forma mais genuína de militância de esquerda “à Robin dos Bosques”, não percebem que, ao fazê-lo, perpetuam a dependência de um capitalismo forte cujo funcionamento produza os lucros, os salários e os impostos com que se paga o SNS, as Pensões de Reforma, a Escola Pública e uma série de outras coisas com maior ou menor utilidade.
Procedem como quem engorda um porco, neste caso o capitalismo, mas sem nunca chegar a matá-lo; limitam-se a ir cortando umas febras para enganar o estômago.

O que os números mostram é que a “distribuição ao povo” dos lucros da Galp, por exemplo, se traduziria numa redução ridícula de uns poucos cêntimos por litro no preço pago por cada consumidor.
Em 2005 os lucros dos 20 maiores potentados económicos portugueses, num ano de vacas gordas, só chegariam para cobrir cerca de metade dos "prejuízos" do Estado pois o défice orçamental ascendeu a 8.800 milhões de euros.

Prosseguem entretanto as tentativas para rotular e quantificar os ricos e os pobres, sempre sujeitas aos erros e absurdos que a nossa fraqueza estatística induz.
Recentemente a DGCI (Direcção Geral das Contribuições e Impostos) anunciou, para grande escândalo público, que os ricos estão a diminuir. Eram 40.774 , em 2005, e passado um ano já eram só 40.055.
Não convenceu ninguém pois existe a convicção generalizada de que os verdadeiramente ricos nem aparecem nas estatísticas fiscais, andam lá pelos “off-shores”.

Quanto à definição do que é um “rico” as opiniões dividem-se.
O BE a certa altura achava que um património de 750.000 euros já constituía uma “grande fortuna”. É caso para perguntar como se designa então um património como o do Belmiro de Azevedo ou mesmo de um Joe Berardo.
A DGCI acha que os ricos são os que têm um rendimento superior a 100.000 euros anuais mas não parece ter em conta que essas mesmas pessoas, se cumprirem as suas obrigações fiscais, entregarão ao Estado cerca de metade do seu rendimento ficando então com 50.000 euros.
Onde é que se deve traçar a fronteira entre os ricos e os pobres, com que critérios e com que autoridade ? E os “remediados”, ensanduichados entre os pobres e os ricos, são considerados de que forma para este efeito ?

Este tipo de abordagem comparativa é certamente muito estimulante e promete discussões intermináveis mas desvia as atenções do que mais importa.

Uma coisa é pensar-se, com razão, que os ricos se apropriam dos excedentes do sistema e que tudo fazem para manter o status quo; outra, bem diferente e que não convém confundir com a anterior, é pensar-se que para acabar com a pobreza basta repartir os pertences dos ricos.

Uma transformação profunda e sustentável da sociedade humana, com acesso a patamares económicos mais elevados para a generalidade dos cidadãos, só pode ser alcançada reinventando a organização social da produção e as relações de distribuição entre os seus agentes.

A justiça social, pela qual gerações se têm batido, só se realizará pelo advento de formações sociais muito mais produtivas do que alguma vez conhecemos. O capitalismo foi um salto enorme porque, quando surgiu, não se limitou a repartir os feudos; criou o comércio em larga escala e a manufactura.

Agora que está na ordem do dia perguntar-se quem é, ou não é, de esquerda (o nosso primeiro-ministro até acusou o BE e o PCP de terem cartórios para passar certidões) eu avanço com uma hipótese de definição:

Ser de esquerda é acreditar, e procurar, uma sociedade muito mais justa e muito mais produtiva que não se baseie no trabalho assalariado e na empresa capitalista.

Mania da Rita

A mais completa tradução da cidade de São Paulo vai estar logo no Coliseu de Lisboa. Não vai haver um momento tão perfeito como o que a seguir mostro (no concerto para a MTV em 1998), mas de certeza que vai valer a pena. Lá estarei e aqui contarei como foi. Entretanto olhem bem para a cara do Bituca a páginas tantas...

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