Monday, September 24, 2007

"«Eles» não gostaram... e têm alguma razão"

Mário Bettencourt Resendes, provedor dos leitores do Diário de Notícias, respondeu no passado sábado à minha carta (e de outros leitores, que corroboravam). O tema era o lamentável título do artigo de Pedro Correia no passado dia 7; o conteúdo da carta não era muito diferente da última parte deste meu texto. Apesar da desconversa e da fuga para a frente do Pedro Correia, a opinião do provedor é taxativa:
Mesmo admitindo que se tratou de uma incursão, não conseguida, na "arte de titular com ironia", não colhe o argumento da "inspiração" no "ele" com que Casanova se referiu a Sócrates: a escrita jornalística de predominância noticiosa não deve colocar-se no mesmo plano em que se situa o texto de combate político. Ou seja, "eles" têm razão ao sentirem-se, assim, excluídos do universo de leitores do Diário de Notícias.
Esperemos que sirva de exemplo para o futuro, ao Pedro Correia e a outros jornalistas parciais, que escrevem sobre política com o objectivo de fazer política.
Resta a questão, que julgo interessante: quando pode um jornal referir-se a um grupo de pessoas como “eles”, excluindo-os assim do universo de potenciais leitores? A resposta não é única, mas tal só me parece aceitável se “eles” se dedicarem a actividades ilegais, sendo perseguidos por lei. É o caso da extrema direita, no que assim difere dos comunistas e da extrema esquerda. É também o caso de alguns movimentos de extrema esquerda, que não estão ligados a nenhum partido, como é o caso dos invasores da plantação de milho transgénico no Algarve. Em qualquer um desses casos, a opção dependerá sempre do critério do jornal. Mas nunca será aceitável que assim se designe numa sociedade democrática um partido legal e com representação parlamentar. Percebeu, Pedro Correia?

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