Friday, December 26, 2008

A "Intifada judaica" e o "pogrom palestiniano"

Artigo de Margarida Santos Lopes no Público de 06.12.2008

Exército foi colocado em estado
de alerta total depois de ataques de colonos extremistas em Hebron, visando árabes e até soldados

Avi Issacharoff, colunista do diário hebraico Ha'aretz, não poupou ontem nas palavras para condenar as acções no dia anterior em Hebron, na Cisjordânia. "Uma família palestiniana inocente, num total de 20 pessoas. Todas mulheres e crianças, excepto três homens. A cercá-los, algumas dezenas de judeus encapuzados tentando linchá-los. É um pogrom. Isto não é uma brincadeira de palavras nem tem um duplo significado. É um pogrom no pior sentido da palavra."
"Primeiro, os homens mascarados incendiaram a lavandaria à entrada da casa e depois tentaram deitar fogo a um quarto. As mulheres gritaram por ajuda, Allahu Akhbar [Deus é grande]. No entanto, os vizinhos estavam demasiado assustados para se aproximarem, aterrorizados com os guardas armados de Kiryat Arba [um colonato nas imediações] que tinham isolado o imóvel. (...) Pouco mais de uma hora depois, chegou uma unidade das forças especiais de polícia para dispersar a multidão de homens mascarados. (...) Ao deixar a casa, um colono disse a um dos agentes: 'Nazis, tenham vergonha!'"
Issacharof é um respeitado jornalista, documentarista e autor do livro The Seventh War: How we won and how we lost the war with the Palestinians, escrito em parceria com Amos Arel, um dos maiores peritos em questões militares e de defesa de Israel - também ele colunista do Ha'aretz.
O jornal juntou a sua voz à de Issacharof ao escrever, em editorial, o que só o grande filósofo e cientista judeu Yeshayhu Leibovitz, que morreu em 1994, ousara antes dizer: "É difícil ignorar o modo como a política e a sociedade israelitas fecharam os olhos ao crescente terrorismo judaico."
"Esta semana, Israel chegou a um ponto de não retorno, que também determinará quem controla o Estado: o sistema de justiça e um Governo eleito democraticamente ou o terrorismo judaico. (...) O futuro do Estado sionista judaico está refém daqueles que rezam pela sua destruição. Nenhuma justificação moral, nem sequer a justa reivindicação moral de um lar nacional para o povo judeu, ficará de pé, dentro ou fora do país, perante a capitulação ao terror."

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