O que eu penso sobre a questão do acordo ortográfico é sumarizado neste artigo do Pedro Lomba, cuja leitura recomendo a todos aqueles que alimentam pretensões de o português de Portugal poder sobreviver na era da globalização. O acordo ortográfico é como o Tratado de Lisboa: mais importante do que o que eles dizem é mesmo assiná-los.
Dito isto, não gosto de tudo o que o acordo propõe, mas é o acordo possível. E seguramente é muito melhor do que haver duas grafias oficiais. Nunca percebi a necessidade das consoantes mudas – por cada exemplo que se der de vogal por elas “aberta”, arranja-se um contraexemplo. O próprio Francisco Frazão reconhece isso.
Uma das questões que deveriam ser resolvidas de vez no acordo é a diferença entre “por que” e “porque”. Até há muito pouco tempo julguei que sabia essa diferença. Só muito recentemente aprendi – no processo de edição do último volume da Gazeta de Física, na revisão deste artigo – que as regras são diferentes em Portugal e no Brasil, e que as regras que eu sempre apliquei (e – garanto aprendi na escola) são as brasileiras. E experimente-se explicar essas regras a um estrangeiro que esteja a aprender português. As regras brasileiras para o “por que” são inteiramente consistentes e muito mais simples. (Eu não percebo as portuguesas, e vou continuar a escrever o “por que” à brasileira, como sempre escrevi.) Para além disso, as regras brasileiras não são usadas pelo MEC, e só o prazer de corrigir o MEC justifica que sejam estas as utilizadas. Por isso “duas palavras” não, caro Francisco: três palavras, como o Caetano canta numa das mais belas canções desta língua que as nossas línguas tanto gostam de roçar. Eu vou, por que não? Por que não? Por que não?
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
Blog Archive
-
▼
2007
(1051)
-
▼
December
(93)
- Feliz ano novo
- Adieu Carrefour
- Uma novela que vai abrilhantar 2008
- Sentido de oportunidade
- Agradeço a P. o seu negrito, mas também
- Benazir Bhutto (1953 - 2007)
- Cold turkey
- Ali v Frazier
- E o vosso Natal, como foi?
- Lavem as mãos, infiéis!
- Cinco filmes
- Try a Job Swap ou a "Dança das Cadeiras"
- Almanaque (2)
- Almanaque (1)
- Um Natal buarqueano
- Discos do ano (1)
- Discos do ano (2)
- Discos do ano (3)
- Discos do ano (4)
- Discos do ano (5)
- Discos do ano (6)
- Discos do ano (7)
- Seis euros e meio
- Boas festas
- Natal na GaffeLândia
- Vem aí o inverno
- A semelhança e a diferença
- Fui à Byblos
- "Lenine e a Revolução” de Jean Salem – Uma análise...
- "Blairista e determinado"
- O último artigo do James Wood na New Yorker é apen...
- Volta e meia, quando uso computadores públicos, ac...
- O acordo ortográfico, num sol de quase dezembro
- A música é que era outra...
- "Este tratado ameaça os interesses americanos"!!!
- Regresso à Escola Naval 40 anos depois
- Eu e Os Presidentes: uma comédia romântica
- A Faena de Lisboa foi um Tratado !
- Niemeyer
- Badass Bible Verses para o fim-de-semana
- Estes putos de hoje em dia
- Eventos (3) - Groove Intercourse
- Eventos (2) - debate sobre o Tratado de Lisboa
- Uma espécie de democracia
- Eventos (1)
- A situação no Técnico - comentários
- Lisboa
- Pelos Direitos Humanos - EVERY HUMAN HAS RIGHTS
- A luta continua
- Conjectura de Poincaré: geometria para entender o ...
- Blogues 2007 (com poucos links, senão nunca mais s...
- David Lynch, Shimon Perez, um ringtone dos INXS, e...
- Num zapping logo a seguir ao Porto-Besiktas, ouvi ...
- A plus tard, peut-être, Carrefour!
- Tabletes de Chekhov
- Era o "El Calambre de Yeso", se faz favor
- Uma razão simples a favor de Alcochete
- A cor dos genes
- Melhore o Natal de um humilde fruticultor (II)
- Melhore o Natal de um humilde fruticultor (I)
- Shouting and smoking
- Sidney Coleman (1937-2007)
- Peões em jogo
- Não ando a dormir nada bem
- Equador
- Trigo limpo, Farinha Amparo
- Coreografia
- O pesadelo de Mugabe
- O "Zandinga" ou o engraçadinho
- O fanático
- O cavalheiro
- O filme da minha rua
- "I am resting on my fucking laurels, you cunts"
- Geometria não-euclidiana
- Gazeta de Física - novo ciclo editorial
- O Cine Oriente, mais conhecido por "o piolho"
- Petições, indignações e afirmações
- Há por aí uns blogues
- Por falar em petições
- “Lenine e a Revolução” de Jean Salem – Uma análise...
- MAD MAX em Lisboa
- Dois exemplos de pseudociência
- Dona Chepa
- The Sound of the Shell
- Chavez 98
- Esforço, dedicação, devoção e slapstick
- Sobre a “crise no Sporting”
- Luminárias a petróleo
- Sobre a “crise na direita”
- Coração de Leão (2)
- Ricardo Coração de Leão
- Strawberries with sugar
- Vasos comunicantes
-
▼
December
(93)
No comments:
Post a Comment